Em nossa vida nos deparamos constantemente com essa frase dita por amigos e familiares sempre que alguma infelicidade nos acontece. Junto a ela, um exemplo de como poderia ter sido pior, caso acontecesse outro infortúnio. Ou a consolação pode vir acompanhada por uma comparação de algum caso que tenha acontecido com alguém conhecido, ou simplesmente que se ouviu falar ou leu-se em algum lugar. Dessa forma o ser humano se consola, se resigna pela comparação de algo que aconteceu com outros de sua espécie ou que simplesmente poderia ser pior.

Assim, quando uma filha cai da bicicleta e quebra o braço, seus pais ouvirão “podia ser pior, podia ter caído e batido com a cabeça.” Ou quando seu filho começa a não estar mais presente em casa por causa de uma paixão avassaladora, podemos ouvir “podia ser pior, ele poderia estar fora de casa por causa das drogas”. Ou quando sua esposa se envolve em um acidente de carro, destrói toda a frente daquele carro novo, você escutará “podia ser pior, não houve machucados”. Ou quando você atropela um motoqueiro, por descuido seu ou dele, e destrói a moto pode ouvir ”podia ser pior, o motoqueiro está vivo e nem se machucou”.

Mas há também as comparações, essas verídicas nos consolam mais. Muito comum nos casos de doenças, quando falamos que um familiar adoeceu, se sentiu mal, foi hospitalizado mas está se recuperando, podemos ouvir “podia ser pior, conheço um vizinho que teve a mesma doença e morreu logo depois.” Ou um amigo que teve câncer e conseguiu vencer depois de muita luta com quimioterapia e radioterapia e apesar de muito fraco, segue a vida, com certeza ouviremos outra história de alguém que teve o mesmo câncer e não conseguiu vencê-lo. Dessa forma ficamos mais calmos e aceitamos nossa situação em comparação com as desgraças piores que as nossas.

Essas comparações são importantes no primeiro momento para nos consolar. Mas todos os problemas, doenças, sofrimentos possuem um significado oculto. Todos possuem valiosos ensinamentos, mensagens para nossa evolução. Se conseguirmos ultrapassar a dor, a raiva e a autopiedade que no primeiro momento tomam conta de nós e enxergarmos o problema com distanciamento, talvez consigamos descobrir o significado dele. Na natureza nada é por acaso.

Parar, relaxar e perguntar intimamente “o que será que isso quer dizer?” “O que posso aprender com isso?” As respostas estão dentro de nós, não precisamos perguntar para mais ninguém, apesar de muitas vezes nossos amigos e familiares nos darem pistas do que precisamos melhorar. As doenças, por exemplo, geralmente são alertas, avisos de que algo está errado em nosso caminho. Que estamos nos desviando de nosso propósito e assim enfraquecendo nosso corpo e nossa alma.

Aproveitemos ao máximo nossos problemas, são eles que realmente nos farão crescer, evoluir em todos os sentidos, tanto em termos emocionais, espirituais e profissionais. A raiva, o ódio e a autopiedade não levam a lugar algum, pelo contrário, apenas pioram a situação, não permitindo um raciocínio claro. Na maioria das vezes, somos nós mesmos que causamos as dores e as infelicidades.

Nossa vida é uma eterna aprendizagem, nada é por acaso. Saibamos aprender com os erros e com os problemas.

Muitas religiões e filosofias acreditam que a nossa vida na terra é de expiação e provas para pagarmos dívidas de outras vidas e tentarmos evoluir. Não há como negar que todos têm problemas para resolver, alguns bem graves outros mais amenos. Mas todos, em alguns momentos da vida, se deparam com sofrimento e angústia. E nos perguntamos “Por que isso acontece comigo? Por que tenho que passar por isso?”
O fato de estarmos acertando contas de outras vidas, responde em parte nossas aflições, mas não resolve o problema. Com certeza as provas e expiações que aparecem em nosso dia a dia também estão ligadas ao nosso jeito de pensar e de agir. Assim, como não temos noção de nossas faltas em outras vidas, resta-nos analisar o que estamos fazendo de errado nessa.
A primeira coisa que temos que ter consciência é que ninguém é perfeito, todos têm defeitos, distorção da realidade, manias. E com certeza, nas relações entre as pessoas, essas questões provocarão problemas, desavenças, brigas. De posse desse conhecimento, a primeira ação a tomar é entendermos o outro, perceber suas dores e perdoar.
E quanto à nossas ações? Primeiro é preciso pensar, analisar. Mas deve-se ter um equilíbrio da atenção que dispendemos para isso. É importante raciocinar e clarear em mente todas as variáveis envolvidas. Mas deve-se ter cuidado em não ser absorvido por esses pensamentos ao ponto de tornarem-se uma obsessão, que não levará a nada, ao contrário, piorará ainda mais o nosso estado de espírito.
É importante nesses casos, que tenhamos momentos relaxantes, meditativos, silenciosos em contato com a natureza. Praticar um esporte ou atividade física também é uma ótima opção. Nossa mente precisa desses momentos “vazios” para que as inspirações (insights) possam ter condições de chegar até nós. Com uma mente turbulenta é mais difícil de acontecer isso. Além disso, temos que ter a consciência de que sempre haverá problemas, mas eles passarão. Tudo passa!
Resumindo, se tivermos a consciência que os problemas sempre existirão, tenhamos calma de raciocinar sobre eles e relaxemos um pouco. Busquemos fazer o que é certo e ético para nós. Todos erraram, inclusive nós e no final tudo passa.

Nosso corpo é um reino imenso e nós somos o soberano dele. Nosso reino é constituído de milhares de células, diferentes comunidades cada uma com suas tarefas e responsabilidades e milhares de vias interligando-as. Um verdadeiro reino com o objetivo final de manter a vida da melhor forma possível.  Como em todos os reinos, as ações e a relação do soberano com seus súditos determina o bom funcionamento.

A grande maioria das pessoas não possui uma relação amigável com seu corpo, Não para e conversa com ele, não escuta o que ele está querendo dizer. A consequência disso é certeira: doenças.

Um bom soberano sabe ouvir seus súditos, entender suas necessidades e problemas e tem a sabedoria de resolvê-los. A primeira atitude é saber escutar o corpo. Parar por alguns minutos diariamente, ficar em silêncio, sem televisão, computador ou outra influência externa e conversar com seu corpo, sentir as diversas comunidades e sistemas.

Essa atenção ao corpo, na verdade, deve-se ter sempre, durante o dia todo. Em uma ocasião ouvi dizer que o corpo tem ciclos de 90 segundas e 90 minutos. Que a cada tempo desses o corpo se transforma. Não sei se é verdade, mas sinto claramente que se estou cansado, sem forças em algum momento, espero passar algum tempo e como mágica a energia volta, o cansaço desaparece, o ânimo retorna.

É essencial saber ouvir e respeitar esses ciclos. Forçar o corpo quando ele está pedindo para descansar é prejudicial. E é justamente o que fazemos: o corpo está cansado e nós ao invés de pararmos, nem que seja por uns minutos, tomamos café. A consequência, com certeza virá depois, à noite, dias ou talvez anos depois, quando o reino ou alguma comunidade mais afetada de nosso corpo adoecer.

Quando ouvimos e entendemos o nosso reino, em um diálogo aberto, também podemos pedir ajuda, uma força-tarefa para recuperar alguma comunidade em apuros. Nesse caso, são encaminhados combatentes para proteção e todos os sistemas podem se unir. Porque, apesar de nosso corpo ser todo dividido, com centenas de milhares de organismos, ele funciona de forma coletiva.

E o soberano de todo o reino somos nós, nossa mente. Por isso, sempre emane energia positiva para seu reino, ânimo e nunca se esqueça de parar para ouvi-lo.

“Um otimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade” Winston Churchill

A realidade de nosso dia-a-dia depende essencialmente de como a encaramos, de como está nosso estado mental e de espírito. Claro que a realidade existe e se desenvolve de maneira independente, mas como interagimos com ela faz toda a diferença para nós e para quem está ao nosso redor.

Dessa forma situações difíceis e problemas que acontecem em nosso cotidiano podem e devem ser encarados de uma nova forma. Esse momento de crise econômica no Brasil é uma ótima oportunidade para exercitar essa mudança de atitude.

Em vez de ficar deprimido pela falta de dinheiro que não está dando para ir ao shopping comprar, ir ao cinema ou almoçar em restaurantes, por que não se entusiasmar em fazer outras atividades que sejam de graça como caminhar pela praia, correr, ou simplesmente conversar com os filhos, o parceiro ou amigos em um lugar bem diferente como a orla da Lagoa da Conceição?  Em vez de ficar brabo pela falta de dinheiro que não está dando para comprar determinado alimento, por que não alegrar-se em experimentar outro mais barato, colocar a criatividade para funcionar e inventar um novo prato? Em vez de ficar triste pela falta de dinheiro que não está dando para colocar gasolina no carro porque não alegrar-se para fazer novas experiências como andar de bicicleta, fazer grupos de carona ou até mesmo enfrentar o ônibus e sentir o que os outros passam todos os dias?

Essa nova atitude em relação à vida depende de pequenas mudanças em nossos pensamentos em nossas ações. Tudo começa em nossa mente, em nosso modo de encarar as situações.  Esse computador poderosíssimo que é nosso cérebro é capaz de encontrar múltiplas respostas para cada dificuldade, mas cabe a nós direcionarmos o pensamento, para o bem ou para o mal.

Assim, sempre que surgir uma dificuldade, pare por um minuto para pensar no assunto.  Não seja impulsivo, ficando brabo no primeiro momento, esbravejar, brigar ou se corroer de raiva ou ódio dentro de si. Pare por um minuto e tente encontrar uma alternativa, tente encontrar um lado bom da situação, ela sempre existe, sempre. Mesmo que a princípio seja difícil, ou que tenha sofrimento, isso também ajudará de alguma forma em nossa evolução.

Comecei a ler o livro O Filósofo Autodidata de Ibn Tufayl escrito no século XII. Já no Preâmbulo o autor nos surpreende com uma frase simples mas profunda: “Aquele que quer a verdade sem véus deve procurar esses segredos por conta própria e fazer todos os esforços para obtê-los.”

A frase começa a falar de uma verdade sem véus, o que significa, que há verdades com véus, verdades que são encobertas, disfarçadas. E que essa verdade sem véus é um segredo, algo que se deve descobrir, desvendar.

Isso faz bastante sentido na antiguidade quando os ensinamentos sobre os “mistérios do mundo” eram secretos, e sacerdotes e sábios guardavam a sete chaves, revelando-os apenas  aos iniciados oralmente. Nada era escrito para não ser revelado a pessoas que não estavam preparadas ou poderiam fazer mau uso desses segredos. Isso aconteceu no Egito com os faraós, na Índia com os hindus, no Oriente Médio com os judeus, na Europa com os celtas, na América com os maias, astecas, incas e com vários outros povos no mundo todo. Aos poucos esses segredos foram sendo revelados e divulgados através de profetas, sábios e estudiosos e transcritos em papiros e livros como os vedas, a Cabala, o Livro dos Mortos e a Bíblia. Mais recentemente veio a terra Jesus revelando verdades baseadas no amor e no século XIX as mensagens dos espíritos superiores transcritas por Allan Kardec.

O escritor continua com o termo “por conta própria” que remete a uma jornada individual, rechaçando aceitar sem questionamentos os dogmas das religiões, seitas e doutrinas. É muito fácil aceitar cegamente ideias de outros e segui-las sem questionamentos como verdades absolutas. Fagulhas de verdade não poderia estar espalhada em todas elas?

É por isso que o autor diz que temos que fazer todos os esforços, porque a verdade além de muitas vezes estar encoberta por um véu, pode estar em vários lugares. O grande esforço está em desenvolver um pensamento próprio, depois dessa busca. Não se deixar levar facilmente pelas ideais alheias e pelas influências de Espiíritos (eles nos influenciam mais do que imaginamos).

Isso faz lembrar a máxima dos filósofos gregos “Conhece a ti mesmo” que depois foi lembrada por Santo Agostinho no Livro dos Espíritos como o meio de conhecer os segredos não só pessoais como da vida. A busca da verdade se faz com muito esforço, tanto na procura do conhecimento como no seu desenvolvimento interno.