Encarar o trabalho não como um sacrifício ou mera necessidade para a sobrevivência, mas sim como um meio para o desenvolvimento racional, emocional e espiritual. Esse é o foco central do Livro Plenitude no Trabalho do escritor e consultor de Desenvolvimento Humano e Organizacional Geraldo Abud Rossi que será lançado dia 21 de setembro em Florianópolis.

Livro Plenitude no Trabalho, autor Geraldo Abud Rossi

Fruto dos últimos estudos e consultorias à empreendedores e suas equipes, esse livro manifesta a possibilidade de se viver conforme os valores e vocações pessoais, bastando uma mudança de mentalidade, uma mudança de visão da vida. Essa transformação é basicamente individual, mas é auxiliada pelo momento único que estamos vivendo, a da Era Digital, que permite cada vez mais trabalhar de formas diferenciada, em novas profissões. em locais e horários flexíveis.

O autoconhecimento é o ponto inicial dessa jornada, pois não adianta querer alcamçar algo se não se sabe onde se está e nem em que lugar quer chegar. A partir daí, uma mudança na forma de ver a realidade e de agir sobre ela se faz necessário. O que não acontece em um passe de mágica, mas sim em uma construção diária nos hábitos. Uma dessas mudanças é a de empoderamento de seu destino, transformando-se em empreendedor de sua vida, mesmo que se seja funcionário.

Os meios para essa transformação são apresentados pelo autor na última parte. São práticas testadas com empresários e colaboradores e que levam em conta propósito, planejamento e organização. Se inseridas no cotidiano, transformam completamente a noção de tempo, substituindo a correria do dia a dia e o estresse em uma jornada diária plena de realizações. A transformação descortina um novo horizonte, uma nova perspectiva da vida.

A revolução tecnológica está mudando completamente nosso modo de trabalhar, de se relacionar profissionalmente e de se viver. Novas profissões surgem a todo momento, outras desaparecem para sempre e nas empresas a relação entre chefes e funcionários se transforma. Estamos em um processo de transição e nada do que existe hoje será igual daqui a alguns anos.

Claro que a história da humanidade é regida por mudanças, por criação de novas atividades e profissões, mas a diferença agora é a velocidade dessas transformações. Elas não demoram milênios, nem séculos e nem décadas… De acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford na Inglaterra, 47% dos empregos atuais desaparecerão nos próximos 20 anos! Isso quer dizer que metade das profissões que existem hoje simplesmente sumirão, isso é incrível! E mais, 66% das crianças do ensino médio vão trabalhar em profissões que ainda não existem. Isso é uma mudança e tanto!

Em um futuro próximo, as relações trabalhistas serão muito mais liberais, as pessoas vão exercer atividades que realmente gostam e não somente uma, mas algumas, podendo ser professor de manhã, pequeno empresário a tarde e estudante a noite. Tudo depende de seu interesse, de sua capacidade e do mercado.

Dentro dessa lógica, as carreiras profissionais como vemos hoje, lineares, vão desaparecer, tipo “você é algo desse que sai da faculdade até morrer”. As pessoas vão exercer várias atividades durante a vida, como um ciclo, alguns anos estudantes, outros anos professor, outros empreendedor, outros colaborador, outros aventureiro. Algumas vezes juntas. Ciclos que não se repetem porque são aspirais ascendentes, sempre estamos nos melhorando e evoluindo.

Acredito como o Tiago Mattos “que as empresas se transformarão em grupos de trabalho que se reunirão em torno de propósitos comuns. Eles durarão o tempo que fizer sentido para os participantes. E não o tempo que fizer sentido nos contratos e nas suas respectivas legislações. Não haverá chefe e nem contratante. As lideranças serão circunstanciais e rotativas e nunca fixas. Portanto, não haverá cargos (estáticos) mas funções momentâneas (fluídas). O propósito e o legado serão os líderes invisíveis…”

Essa é uma transição que já se iniciou. Em muitas empresas não existe mais carga horária de oito horas, o trabalho é medido não por horas trabalhadas e a necessidade da presença física. O importante são as tarefas realizadas e o comprometimento. Os colaboradores já não devem seguir regras preestabelecidas mas se auto organizar, se autogerir e ser proativos sempre em busca do melhor resultado.

A concorrência selvagem e algumas vezes desleal será substituída pelo senso de cooperação, onde em vez de brigas haverá união para melhores resultados conjuntos, onde todos possam ganhar. Não haverá desespero por vagas de trabalho, todos poderão trabalhar, segundo sua vontade e sendo regido pela meritocracia.

Para isso teremos que nos acostumar a um sistema menos paternalista, mais horizontal onde todos tenham uma postura de donos. Funcionários terão que realizar autogestão, realizando tarefas sem a necessidade de cobrança. Gerentes e diretores terão que trabalhar sem hierarquia

Sem regulações rígidas, cada pessoa terá a liberdade de abandonar o grupo de trabalho na hora que desejar, sem complicações com a lei, avisos prévios, indenizações. O trabalho será mais fluído com menos burocracia, menos impostos. O sistema será mais dinâmico, criando mais oportunidades.

Essas mudanças estão acontecendo mas dependem da mudança de mentalidade das pessoas. No futuro, vamos nos tornar todos empreendedores. Teremos que apagar nossa dependência paternalista do estado e empregador, adotando uma postura empreendedora, onde somos os únicos responsáveis por nosso crescimento.

“Todos somos empreendedores, mas a maioria de nós não teve a oportunidade de descobrir” Muhammad Yunus.

Pode até parecer um cenário utópico, mas já é realidade em várias empresas e locais pelo mundo afora. O ser humano está cansado de ser escrevo do trabalho, quer mais qualidade de vida. Transformar o sacrifício do trabalho em realização. Há muitos desafios para chegar lá, e as grandes desigualdades que existem atualmente não nos permite imaginar uma mudança a curto prazo.

O futuro não chega para todos ao mesmo tempo. A nova geração que está surgindo demonstra essa nova visão, querem trabalhar com propósitos, fogem às regras, são proativos, são autônomos e ao mesmo tempo cooperativos. Cabe a quem já está no mercado (e no comando), se adaptar

 

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Há dois grandes desafios a serem vencidos na execução do trabalho: a distração e a procrastinação. A distração é muito fácil de ocorrer; com tantos canais de comunicação e informações ao nosso redor, ficar sem acessar durante um tempo é dificílimo, ainda mais com o imediatismo das ações e reações do momento. Some-se a isso, os problemas pessoais e profissionais e a manutenção do foco torna-se quase impossível.

O combate a distração deve ser permanente e a disciplina é uma ferramenta poderosa para isso. Disciplina para determinar tempo exclusivo a determinadas atividades, disciplina em não acessar os canais de comunicação, disciplina em focar o pensamento no que está fazendo. Nós temos esse poder em nossa mente, basta ter força de vontade.

Outro desafio poderoso é a procrastinação o famoso “empurrar com a barriga”. Aquela “enrolada”, deixando para depois, acontece geralmente com tarefas que não gostamos ou não sabemos fazer, que são difíceis, delicadas ou chatas. São aquelas tarefas que são remarcadas dia após dia e semana após semana na agenda. Vencer a procrastinação é uma vitória pessoal que nos traz grande alegria, ver aquela atividade que lhe preocupou fora de seu caminho é ótimo. E o mais interessante é que podemos aprender muito com essas tarefas, tornando-as mais fáceis e rápidas ao longo do tempo, com a resolução delas. Algumas dicas:

  • Divida as tarefas que forem grandes e longas em partes e execute-as seguindo um cronograma
  • Planeje e separe um tempo para executá-las e foque nelas até termina-las
  • Analise a possibilidade de delegar a tarefa ou dividi-la com parceiros
  • Recompensas podem dar certo, prometa realizar algo que queira muito se finalizar a tarefa, como jantar fora, tirar um dia de folga ou se dar um presente.
  • Simplesmente aja! Não espere o “momento especial” que pode nunca acontecer. Faça agora.

Nos últimos anos no Brasil o número de empresas que fecharam suas portas foi superior às que abriram. A maioria não possuía um ano de idade. Apesar disso, a abertura de novos negócios não para de crescer, demonstrando a grande vocação do brasileiro de ser empreendedor. O que está acontecendo?

Só no Brasil em 2015 foram fechadas 713.600 mil empresas, dessas 68,5%, ou 408.400, tinham até um ano de existência. Claro que muitos fatores influenciam esse quadro aterrador, destruidor de sonhos. A crise econômica, as dificuldades burocráticas e os altos impostos são alguns desses fatores. Mas sempre é bom lembrar, que apesar do grande índice de falências, houve sobreviventes, houve empreendedores que venceram, houve oportunidades aproveitadas.

O maior erro do empreendedor é pensar que como grande conhecedor de sua profissão, especialista no que faz, também entenderá do funcionamento da empresa que executa o seu trabalho. Por mais que essa empresa seja focada no serviço que executa, há uma enorme distância no entendimento de ambas. Michael Gerber, autor do livro O Mito do Empreendedor, denomina a obsessão de seguir esse erro de a “doença do empreendedorismo”. E essa doença é uma das grandes causas da falência que existe no Brasil e no mundo.

Por isso a importância vital da mindset do empreendedor, da sua compreensão e visão do negócio e não somente atender o impulso de sair de seu emprego e abrir algo para si. Essa é, justamente, a doença que Gerber se refere, quando a vontade de ter seu próprio negócio te sega a ponto de não perceber nada em volta. O que é muito comum nas pessoas que chegam em momento da vida que se questionam sobre seu emprego, seu salário, na sua valorização em relação a seu conhecimento. Começam a imagina como poderia ser melhor suas vidas se elas fossem donas de seus próprios negócios. Imaginam que como boas profissionais no que fazem, digamos uma cozinheira, uma chef de cozinha, poderiam abrir um restaurante, ganhar muito mais dinheiro e estipular seus horários no domínio de seus próprios negócios. Isso se torna uma doença quando essa ideia não sai da cabeça, quando o dia a dia fica sem graça e só se consegue pensar em abrir um negócio como se fosse a tábua da salvação.

A cozinheira, chef de cozinha, pede demissão, investe os recursos que ganhou na rescisão e pega um pequeno empréstimo para a abertura do negócio. O restaurante fica lindo, tudo parece lindo  e…. Depois de algum tempo percebe que ter um negócio é muito mais do que fazer aquilo que ama, é muito mais do que cozinhar… percebe que não domina o seu tempo e que trabalha muito mais para conseguir se sustentar. Além de estar na cozinha, ela tem que cuidar dos funcionários, das compras, da manutenção do estabelecimento, das contas… chega um momento que aquela sua vocação de cozinhar, aquele amor que tinha pela cozinha se transforma em um fardo, que a cada dia fica mais pesado para carregar.

Pode parecer um pouco batido o que escrevo, mas infelizmente é enorme o número de empreendedores que abrem um negócio achando que por serem bons técnicos, bons profissionais em suas atividades também serão bons empresários. São coisas diferentes: ser empreendedor também é um trabalho que demanda características e vocações distintas. E o reflexo disso são essas milhares de empresas que fecham suas portas todos os anos no Brasil.

Pessoalmente passei por uma experiência dessas. Apesar de ter permanecido mais tempo em funcionamento do que a média das empresas no Brasil, também fechei as portas por falta de conhecimento e planejamento. Sou jornalista e como tal trabalhava em jornais e revistas no Rio de Janeiro. Adorava meu trabalho de escrever, apurar informações que fossem relevantes para a sociedade. Imaginei que o meu conhecimento técnico e minha experiência como jornalista seriam o suficiente para abrir uma editora e lançar uma revista. Encontrei um nicho interessante para posicionamento: seria uma revista para turistas que visitavam a cidade do Rio de Janeiro. Na época havia apenas um guia que trazia essas informações, que na minha avaliação era bem ruinzinho. Além de planejar fazer algo melhor, a revista seria distribuída nos quartos de hotéis quatro e cinco estrelas da cidade! Bingo, era uma estratégia certeira para alcançar o público-alvo. Organizei uma pequena redação e contratei um vendedor para os anúncios, que logo se mostrou ineficiente. Acabei assumindo a área comercial junto com outra pessoa, já que sem anúncio a revista não teria dinheiro para ser impressa e se sustentar. Passava os dias na rua em reuniões com comerciantes e com órgãos governamentais e empresariais do setor de turismo, apresentando a revista. Quando estava na redação, grande parte do tempo era para marcar novas reuniões comerciais, fazer a administração das contas e discutir problemas com os jornalistas. Não tinha mais tempo para o trabalho que adorava fazer, de apurar informações e de escrever reportagens. Via meus colegas jornalistas fazendo esse trabalho e sentia saudades… até que um dia, exausto depois de horas e horas trabalhando na venda de anúncios, sentei com minha esposa em uma montanha e disse que não era aquilo que queria fazer quando lancei a revista há três anos. Não queria ser um vendedor, administrador. Minha vocação é escrever e não estou mais fazendo isso. Vou fechar a revista. E por mais que a revista estivesse indo razoavelmente bem, não pensei duas vezes e fechei.

Poderia ter pensado em venda-la, conseguir um sócio, mas estava tão traumatizado com a experiência, com aquele sonho que havia se transformado em pesadelo, que simplesmente fechei sem mais delongas. Essa experiência apesar de traumática me trouxe muitos ensinamentos, entre eles a consciência do erro que cometi quando achei que como jornalista seria um ótimo dono de revista e nessa posição exerceria minha profissão que amava, escrevendo muito mais.

Há casos de sucesso? Claro, muitos. Mas como tudo na vida, deve ser estudado, analisado e planejado. Abrir um negócio, ser um empreendedor é maravilhoso, pode ser a realização de um sonho, mas pode transformar-se em um pesadelo e traumatizar.

Quando pensamos em alvos e metas temos que considerar que existe um caminho, uma jornada para chegar a eles. Gosto de comprar essa busca a uma viagem. Com um destino definido, mas com um percurso a percorrer até chegar.

Digamos que nossa viagem seja para a Itália e nossa meta conhecer Veneza, seus inúmeros canais, andar de gôndola e saborear as iguarias venezianas a beira do rio. Para se chegar a esse objetivo teremos que percorrer um longo caminho. A viagem de cada pessoa começa a diferenciar-se nesse percurso. Alguns preferirão contratar uma operadora de turismo que organizará tudo, não terão preocupações, praticamente fecharão os olhos e acordarão em Veneza. Outros farão esse percurso descobrindo por si mesmo o caminho, passando trabalho, conhecendo pessoas e locais novos. No final, todos chegarão a Veneza, uns antes outros depois, uns com suas bagagens intactas, iguais de quando partiram, outros com uma bagagem cheia de experiências novas, conhecimentos e histórias para contar.

Assim é a vida. Quando traçamos metas e alvos para serem alcançados temos inúmeros caminhos para escolher. Essa jornada é definida por nós, muitas vezes os caminhos mais curtos não trazem os resultados esperados. Muitas vezes os caminhos mais longos são mais educativos e apesar de demorarem mais para alcançar o alvo, são mais produtivos e compensadores. Tão importante quanto chegar ao alvo é a jornada até ele. Temos que ter em mente nosso alvo e vivenciarmos por completo a jornada até ele, aproveitando as oportunidades, sem ansiedade, mas sem procrastinação.

Quando fui para o Peru com um amigo historiador nosso objetivo era conhecer Machu Picchu. Poderíamos ter pego um avião até Lima, outro até Cuzco e um trem até a cidade sagrada dos Incas. Mas resolvemos fazer uma jornada diferente: percorrer de ônibus e trem toda a extensão entre Rio de Janeiro e Cuzco, visitando inúmeras localidades nos andes. A viagem que poderia ter durado algumas horas até Cuzco durou uma semana. Poderia-se pensar que foi uma perda de tempo, mas a experiência adquiria foi riquíssima e com resultados surpreendentes ao final.

Chegando em Cuzco, poderíamos ter pego um trem direto para Machu Picchu, mas a jornada até lá nos deixou tão aberto a novas experiências que por “um acaso” encontramos um mapa antigo em um sebo de Cuzco. O mapa descrevia uma rota desconhecida para Machu Picchu usada por soldados incas. Isso brilhou nossos olhos, ficamos entusiasmados, mas analisando o mapa percebemos que existiam passagens difíceis a cinco mil metros de altitude e que a trilha era bastante deserta. Decidimos nos preparar. E uma nova jornada teve início para chegarmos ao nosso objetivo: agora percorreríamos trilhas incas menores no Vale Sagrado, até nos sentirmos preparado.

Depois de dez dias nos preparando, resolvemos partir em direção a trilha desconhecida para a cidade sagrada dos incas no meio de vales e montanhas imensas. Uma jornada incrível de seis dias no meio da natureza que testou nossos limites e nos aprofundou no autoconhecimento. A chegada em Machu Picchu ao amanhecer sem nenhum visitante foi emocionante. Com certeza bem diferente da chegada que poderíamos ter feito de trem e que duraria apenas algumas horas. A jornada tinha nos modificado, tínhamos aprendido muitas coisas. E não ficou por aí, essa jornada transformou-se em reportagens de revistas e posteriormente em livro. No final, a jornada tornou-se mais importante que o próprio destino; e a meta que era conhecer um local tornou-se a realização de publicar um livro.

A jornada é tão importante quanto as metas. É essencial termos metas, alvos a serem alcançados, mas a jornada para alcança-los é igualmente essencial. Foco nas metas é importante. Precisamos disso para seguir com força e entusiasmo. Mas não podemos fechar nossos olhos na jornada. Temos que estar com os olhos abertos para as oportunidades que surgem no caminho. Temos que estar com a mente aberta, observando a realidade como ela é.

Não podemos esperar que sejamos felizes apenas quando alcançarmos nosso alvo. Não podemos pensar que enquanto não alcançarmos as metas teremos que sofrer e passar por necessidades. A jornada apesar de poder ser dura e algumas vezes até penosa, tem que nos satisfazer. Tenhamos em mente que aprendemos muito durante a jornada, em suas provas e desafios.  Gandhi dizia “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o próprio caminho”.

O mar estava bonito, no horizonte ondas estouravam em cadência quase perfeitas. Já havia uma galera, alguns manobrando com maestria aquelas paredes que da praia pareciam pequenas. Resolvi surfar depois de quatro meses me recuperando de uma contusão no cotovelo, que tinha o apavorante nome de epicondilite.

Entrei animado apesar da água gelada. Para chegar no outside havia um longo caminho a ser percorrido. As ondas estavam fortes e constantes e apesar das remadas incessantes a espuma fazia retroceder em direção à areia. Os outros surfistas que entraram comigo foram se distanciando e me deixando para trás. Aos poucos o entusiasmo passava e dava lugar a um sentimento de fracasso. Por mais que eu remasse, não conseguia avançar, pior apenas retrocedia. Finalmente desisti e sai com muita raiva, como não tinha ninguém para colocar a culpa, sentia raiva de tudo. Sai chutando a água, mordendo a prancha.

Isso me fez pensar se não é assim que agimos muitas vezes com nossa vida e com o nosso trabalho. Quando vislumbramos algo que queremos fazer profissionalmente, uma posição que queremos alcançar, um estilo de vida que queremos ter; será que nos preparamos para isso? Ou simplesmente nos jogamos na água atrás das ondas perfeitas, sem preparo, sem planejamento ou observação da situação?

Na minha tentativa de surfar percebi claramente que não estava preparado, não era culpa de ninguém. Era apenas uma falta de visão impulsionado por um entusiasmo cego. O entusiasmo é essencial, é a força da ação, mas o que adianta uma ação burra? Se meu objetivo era pegar aquelas ondas eu teria que ter um plano para me preparar, um planejamento de condicionamento físico e porque não psicológico também. Assim deve ser em nossa vida, em nosso trabalho. Se quisermos chegar em algum lugar devemos nos preparamos. Primeiro visualizar o tipo de tipo de vida, o trabalho que queremos e depois planejá-lo para alcançar.

Importante lembrar que mesmo com toda a preparação, no meio do caminho haverá inúmeros percalços, ondas fortes que o farão retroceder. Mas esteja certo que sem o preparo seria bem pior.

Mas isso não quer dizer que não vale a pena as tentativas sem o devido preparo. Pelo contrário, as tentativas fracassadas são fundamentais para termos a consciência que não estamos preparados suficientes e que temos que nos melhorar.

Além disso, depois que passa a raiva de não conseguir, depois que tentamos culpar os outros, quando o problema está unicamente em nós, depois disso, há uma satisfação interna, por termos tentado. Quando cheguei em casa depois da tentativa frustrada do surf já estava bem, um cansaço gostoso me invadiu o corpo e a esperança de conseguir surfar aquelas ondas depois de um bom treinamento tomou conta de mim. Agora eu tinha um objetivo claro e sabia como alcança-lo.